quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dois anos

Mãos, beijos, mordidas, sussurros, suor, êxtase, clímax, cansaço, adormecer.

Ela veste sua camisola e levanta-se. Dá alguns passos até a janela e olha para o céu. A noite está clara e, as poucas nuvens encontram-se longe no horizonte.

Um barulho faz com que olhe para a cama.

Ele ainda dorme.

Há dois anos vivem esse relacionamento: fins-de-semana de intenso êxtase e prazer, escondendo de seu filho, o melhor amigo dele, os motivos de suas escapadas;
Dois anos de frustração ante às inegáveis marcas do tempo em seu rosto;
Dois anos de culpa por impedí-lo de seguir com sua vida, embora ele diga não se preocupar com a diferença entre suas idades;
Dois anos de medo que ele mude de idéia...

Dois anos tentando se convencer a acabar com isso antes que se machuque.

Mergulhada em seus pensamentos, Ela não o vê se levantar e caminhar em sua direção. Ela o sente afagar seus cabelos, beijá-la no rosto, puxá-la gentilmente para próximo de si, e o ouve dizer gosta dela.

Ela quer odiá-lo por não ser um insensível, por não simplesmente usá-la e ir embora, por ser tão presente.
Ela quer odiá-lo pelo maldito carinho que joga por terra sua determinação em deixá-lo; Por tornar tudo tão mais difícil.

Vencida, ela o pega pela a mão, o beija e o leva de volta à cama.

Novamente mãos, beijos, mordidas, sussurros, gemidos. E então ela pede que ele a tenha com força, que a machuque.

E assim, como tem feito há dois anos, ela possa batê-lo e arranhá-lo. Para que possa gritar, sofrer, chorar e, em gozo, esquecer seus medos e angústias.

Para que ela possa sentir ódio dele e de si por saber que o ama.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fones pra que te quero!

Quando a Sony lançou comercialmente o walkman na década de 1970, teve início a era dos players de música portáteis e “discretos”. Já era possível ter suas músicas favoritas disponíveis a qualquer hora e lugar. Fones de ouvido (conhecidos desde os anos 1940) foram escolhidos em vez de alto-falantes resultando em aparelhos mais baratos, com uma maior autonomia das pilhas e pouco ou nenhum incômodo para as pessoas ao redor. Porém, a maior vantagem dos fones é que eles isolam o ouvinte do ambiente, e lhe propiciam uma melhor experiência auditiva.

Logo, todos concordamos que alguém que usa seus fones de ouvido em um ônibus, por exemplo, deseja um pouco de privacidade. Correto?

Errado.

Há quem simplesmente não consiga ver alguém sossegado em seu canto com seus fones de ouvido. A cena é comum e você com certeza já a presenciou ou era a pessoa com os fones.

O bom senso ensina que, se uma pessoa não o retribuir suas tentativas de diálogo, é porque não quer conversar. Some-se a isso o fato de a pessoa estar com fones de ouvido e bingo! Caberia ao interlocutor entender que esse não é o melhor momento para uma prosa. Mas é claro que isso não ocorre. Ao invés de deixar a pessoa (que pode ser eu, você ou o Zé dos Santos) em paz, os fulaninhos ficam buscando assunto para chamar a atenção do pobre coitado. Parecem incapazes de perceber que não há diversão em repetidamente pausar a música, e nem que o fone na outra orelha é uma mensagem clara de que o que-quer-que-seja-que-se-tenta-ouvir possui uma certa prioridade naquele momento.

Isso não deve ser carência. É maldade mesmo. Ninguém vai aporrinhar o filho-de-uma-jumenta que usa seu celular em volume máximo no ônibus. Não há um filho-de-uma-égua para puxar um papo com esse cara.

Mas eu tenho a solução para o problema: se você é um dos fulaninhos que citei anteriormente, aproveita essa sua vocação para encher o saco e vai aporrinhar o pagodeiro que usa o celular como carro-de-som dentro do ônibus. Você vai conseguir sua conversa, dará a atenção que o escroto procura e vai me livrar da tentação de te mandar tomar no olho do teu cu.

Grato.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O consultório

Esse é o relato nem-um-pouco-fidedigno da minha tarde no consultório. Se espera por um acrescente algo à sua vida besta, recomendo veementemente os livros do Augusto Cury. Caso contrário, aproveite a leitura (que será chata pra porra, eu garanto).


O CONSULTÓRIO.

– Sala seis, senhor – disse-me a simpática atendente que me recebera na entrada da clínica.

Já fazia dois anos que não me consultava nem trocava meus óculos e, provavelmente por conta disso, a minha visão andava bem pior do que deveria. Um belo dia, cansado de ter de apertar os olhos para ler as legendas dos filmes, decidi dispender de alguns dinheiros em minha acuidade visual.

Chego no horário marcado e, de cara, local de espera me chama a atenção. A parede é toda tomada por desenhos com temas infantis e rodeada por frases e provérbios bíblicos. Descontando-se o ar-condicionado desligado em uma tarde de calor infernal, era um local bem agradável.

Chamou-me a atenção o fato de a sala da minha oftalmologista e do proctologista da clínica serem posicionadas frente-a-frente. Decerto algum engraçadinho, em todo o seu humor de péssimo gosto, o fez pensando nas piadas prontas que seriam proferidas por algum idiota (o foda é que, ao perceber a disposição das salas, o idiota aqui pensou em pelo menos duas). Por precaução, me certifiquei que a recepcionista não tinha errado na marcação dos horários e me mandado para o doutor cutucador de furicos (felizmente estava tudo certo).

Escolho uma cadeira próxima à porta da doutora. Ao meu lado há uma senhora e uma jovem que aparenta ter, no máximo, 18 anos.

– A doutora já tá atendendo? - pergunta a jovem.

– Não sei – responde a senhora completando em seguida: – Acabei de chegar.

– Ela demora? - insiste a garota: – Porque hoje eu já consegui liberação do meu chefe e tá cheio de coisa pra fazer lá no escritório. Até porque hoje é fim de mês e blá blá blá, blá blá blá, e os clientes, blá blá blá...

A jovem falava com uma ânsia que me parecia digna de alguém que sabe estar utilizando os seus últimos minutos de voz antes do iminente ataque de mudez eterna. Ela não perdia tempo com algo tão fútil como o fôlego. Mal inspirava, já emendava alguma abobrinha. Na ânsia de se comunicar ela tinha uma pressa tremenda.

Acho que um dia escreverei sobre essa coisa que leva uma pessoa a começar a contar sua vida a completos desconhecidos que encontram em filas de bancos, pontos de ônibus e (recentemente descobrira), salas de espera de consultórios. Falarei sobre esse impulso incontrolável de “bater dois dedinhos de prosa” com o próximo. Discutirei sobre essa força, poderosa o suficiente para romper a barreira da timidez, que nos leva a contar nossos medos, angústias e ambições. Essa força meus amigos pode ser definida como a incapacidade de manter a boca fechada ou, em bom português, de calar a porra da matraca, poupando os outros de sua ladainha insuportável.

Depois de alguns minutos, quando a falação da garota já tinha esgotado a paciência, escuto chamarem o meu número.

Entro na sala.

O consultório encontra-se em meia-luz e, apesar da penumbra, vislumbro um armário de metal e aqueles aparelhos cujos nomes desconheço (mas que os oftalmologistas sempre possuem).

Após uma rápida conversa de rotina ela me manda reclinar a cabeça “para pingar um pouco de colírio”.

Em poucos segundos senti como se duas gotas geladas de água de mar queimassem meus olhos.

– Toma – me disse a doutora enquanto me passava um pequeno pedaço de gaze. – Isso é para você enxugar os olhos.

Saio da sala com os olhos ardendo por causa do maldito colírio e, ao me sentar para esperar o líquido dos infernos fazer efeito, escuto uma nova conversa de dois senhores que esperavam a vez no proctologista cuja porta ficava em frente à da medica de olhos (sem maldade, pessoal. Por favor):

– A empresa mandou eu vir aqui fazer os exames e, quando ficar pronto, eu levo lá. “Tando” tudo certo, na “sigunda” eu já começo a trabalhar.”

Ok. Notam algo de estranho no diálogo acima? Onde, nessa merda de mundo, meu Deus, uma desgrama dum setor pessoal exige exame retal como parte da seleção de seus funcionários?! Estava pasmo. E, enquanto agradecia aos céus por não ter mandado currículo para a pervertida empresa em questão, sou novamente chamado pela médica.

Após alguns exames, ela me diz que continuo com miopia e como mesmo grau de sempre.


E isso é tudo. Não disse que era uma história sem graça?

domingo, 15 de novembro de 2009

E o pequeno Ricardo compra um laptop.

Pois é.
Após ficar viúvo do computador que me acompanhava há 4 anos, 11 meses e alguns dias, venho ao blog única e exclusivamente para avisar que me rendi a tendência dos jovens geeks: Comprei um notebook.

Embora esses portáteis e práticos aquecedores de coxas não sejam, propriamente, uma novidade para mim, ainda estranho a altura das teclas, tamanho da tela e o mouse do dito cujo. Como seria de se esperar, o ferreiro de espeto de pau aqui não se preocupou em comprar teclados e mouse usb, e terá de fazê-lo agora (ou arrumar algum adaptador que se preste a isso) porque não gosto desse troço me esquentando as pernas.

Parando com as reclamações, é uma máquina superior em (quase) tudo ao meu finado desktop: Processador de core duplo, hd com mas do que o dobro do anterior, chipset de vídeo melhor.
Só empatando no quesito quantidade de ram (permaneço com o bom e velho 1GB, que é mais que suficiente para atender as minhas necessidades.

Para fechar com chave de ouro (Deus sabe o quanto odeio esse jargão), o portátil me custou um pouco menos que o finado pc na época de sua compra

Sendo assim, hipoteticamente falando, agora eu posso vir a seguir um hipotético impulso e efetuar uma hipopética atualização desse blog e satisfazer a curiosidade de qualquer um que venha a achar que há algo de interessante nesse espaço.


Sem mais nada a acrescentar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Não sejamos hipócritas ao ponto de criticar o Sarney, o Lula, o FHC ou o diabo-a-quatro.

Boa parte de nossos políticos (senão a maioria deles) não passa de um monte de oportunistas atentos à próxima chance de se dar bem em cima da população.
É de senso comum que o povo está em seu direito de cobrar as devidas providências aos seus governantes. Eu discordo (pelo menos quanto ao nosso país) por um motivo simples: o brasileiro é, salvo casos isolados, um povo que, definitivamente, não merece confiança.

Em nossa bela e ensolarada pátria
a-)"quem não cola, não sai da escola";
b-) é idiota aquele que paga todos os seus impostos/taxas;
c-) é otária a pessoa que prima pela retidão e pelo cumprimento de seus deveres de cidadão(ã);
d-) vacila o motorista que respeitar uma vaga destinada a portadores de necessidades especiais;
e-) é uma besta aquele que não "molhar a mão" do guardinha quando tiver a chance.

Ou seja, vivemos num país onde a Lei de Gérson constitui a base do pensamento popular.

Somos um bando de pessoas que sente ódio pela corrupção nas altas cúpulas do governo enquanto diz, sem nenhuma vergonha, que faria o mesmo se lá estivesse. Temos mais interesse no comportamento dos dirigentes dos clubes de futebol do que no comportamento dos políticos por conta de algum traço de moral forte ao ponto de não criticar aqueles cujos valores nos são comuns.

Ok. Acho que já basta de desabafo. Antes que alguém, que porventura venha a ler esse texto, pergunte ou comente que eu não sou diferente daqueles que acabei de criticar (ressalto a presença de um "nós" presente na maior parte do texto).
Mas, de qualquer forma, assumo que não sou de todo diferente, apenas um cidadão com tendência a otário, besta, vacilão com muita dificuldade para sair da escola.

Um bom dia a todos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mens sana in corpore sano...

Agora é pra valer. Cansei da minha vida de sedentário e estou começando um plano de exercícios por conta própria. Inicialmente serão caminhadas de 1 hora, três manhãs por semana.
Conforme eu for ganhando força/resistência, aumentarei tempo e intensidade e, caso tudo siga bem, dentro de alguns meses estarei correndo alguns quilômetros por dia com facilidade. Como exercício sozinho não faz
milagre, estarei modificando a minha alimentação, incluindo mais fibras e vegetais e tentarei parar totalmente com refrigerantes e doces de maneira geral.
Optei pela caminhada por ser uma atividade com impacto mais leve, barata (só me custa um novo par de tênis após alguns longos meses) e por não ser adepto da puxação de ferro. Eram bons tempos em que eu comia
feito um porco em regime de engorda e não tinha maiores problemas Para um cara que já foi gordo durante a infância e que teve uma adolescência com muita atividade física, o meu estado atual é uma ofensa.
Meu estado atual deve-se ao sedentarismo do qual me tornei adepto após o final do ensino médio o que veio depois (vestibular, universidade, trabalho, preparação pra concurso), só contribuiu para agravar o qua
dro. A pior parte tem sido acordar cedo. Há pouco menos de 2 meses conseguia tirar isso de letra, hoje está muito difícil sair da cama.
A meta é me livrar de pelo menos 15 Kg dentro de 15 meses, de modo que não seja uma tarefa impossível. Por isso caso alguém (que porventura venha a ler isso) deseje-me bons resultados.

Até mais e boa noite.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

É cada uma que aparece...













Pois bem, só para mostrar a que ponto chega a cara-de-pau da turminha do malware. Cuidado ao "terem seus nomes citados no youtube".

Até mais.