domingo, 26 de junho de 2011

Aceito Presentes

Numa noite dessas no MSN o amigo Yuri me manda os links dessas pequenas maravilhas de plástico. Os que me conhecem sabem que eu sou fã da série Megaman (ou Rockman, no Japão) e em especial da série X. E, por isso, fiquei de cara com a qualidade desses bonequinhos.

Segundo os fóruns e sites de venda, esses action figures são bem articulados, podendo reproduzir praticamente qualquer posição que fazem nos jogos e, o maior ponto positivo, em minha opinião: o boneco é a base e as armaduras podem ser compradas à parte (eu compraria todas ehehehehe). Isso sem falar do ultra-mega-power-hiper-fodástico-badass-motherfucker-blond-robot-from-hell: ZERO!

Zero e X em suas versões a partir do X4


Zero (versão X4)


X e um "met"



X e a bota da "1st armor" (armadura do MMX)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O NOVO PARADIGMA MATEMÁTICO DE ZENILDO

O NOVO PARADIGMA MATEMÁTICO DE ZENILDO

7 da manhã. Sou acordado pelo toque do meu celular.
– E aí, cara, tudo beleza contigo? – alguém me pergunta.
– Quem é?! – é tudo que consigo responder.
– É o Zenildo, cara – me responde a voz no celular.
Se tem uma coisa melhor que um bom fim-de-semana, é um fim-de-semana prolongado com um feriado na segunda-feira. Principalmente quando a manhã dessa segunda está chuvosa. O quarto estará silencioso e a cama, cujas cobertas estarão nas condições ideais de temperatura e maciez, encontrar-se-á perfeita para colocar o sono em dia. Todos concordaríamos que essa seria a melhor maneira de passar a manhã de um feriado em uma segunda-feira. Todos, exceto o Zenildo, que continua:
– Tá afim de tomar umas?
– Porra, Zenildo - respondo-lhe com todo o cavalheirismo que o meu humor de recém-acordado me permitia ter para com ele. – São sete da manhã e tá chovendo pra caralho, seu veado filho-de-uma-égua!
– Eu to ligado, mas é que ficaram umas cervas de ontem e eu tava afim de derrubar, mas não posso sozinho. – respondeu-me ele, continuando em seguida – Se vc quiser, eu passo aí pra te buscar.
É bem verdade que ser acordado às 7 da matina de um feriado é uma merda. Mas a possibilidade de cerveja de graça com transporte incluso melhora o ânimo de qualquer um. Talvez não melhore o seu, seu maldito abstêmio. Sei que não pode me compreender e eu tenho pena da sua pobre vida. Não tem idéia do prazer que é degustar uma cerveja pilsen gelada, cuja espuma forma um gracioso colarinho de 2 cm em um copo formato tulipa a uma temperatura de 4º C. Você não sabe o que é degustar esse conjunto harmonioso em plena manhã de segunda-feira (dia em que, normalmente, isso não é possível por conta do trabalho ou estudo). Uma pena para você, porque eu já estava consideravelmente bem humorado.
- Beleza então, vou me arrumar. Em quanto tempo passa por aqui? – perguntei-lhe.
- Uns 15 a vinte minutos – e desligou.
A casa de Zenildo encontra-se a aproximadamente 10 Km do apartamento onde moro. É um bairro não muito bom, com uma vizinhança pior ainda. Não é raro sua família passar todo o fim-de-semana fora devido às músicas de má qualidade que seus vizinhos tocam em alto volume. Não que sejamos gentlemen (até porque gentlemen não urinam nos muros de seus vizinhos quando bêbados). Se bem que nós não fazemos isso (não com a mesma freqüência que os vizinhos dele, pelo menos).

Como de costume, Zenildo levou duas vezes o tempo combinado para chegar e metade do tempo recomendável no caminho de volta. Ao chegarmos em sua rua, apesar da chuva torrencial, percebi o porquê de sua ânsia para tomar cerveja: Seus vizinhos haviam acordado antes dele. E como o álcool torna qualquer ruído tolerável (por pior que ele seja), meu amigo foi forçado a encontrar alguém para ligar.
Apesar de não ser dona de bar, a família de Zenildo possui um freezer horizontal em casa. Não era raro o mesmo estar abarrotado de cervejas populares.
Mas aquelas não eram as cervejas do Zenildo. Seu padrão era outro. Puro malte era o mínimo aceitável. Nos reuníamos com freqüência para degustação de importadas de diversos tipos: ale, malzbeer, lagger, stout. Com a desculpa de uma degustação gourmet, enchíamos a cara sem dó nem piedade. E, conforme o porre avançava, o filósofo interno de cada um tomava a palavra.
Nessa segunda-feira em especial, Zenildo mandou sua mais nova conclusão. Algo que mudaria para sempre o mundo da matemática. Algo que tinha de ser estudado, lido, debatido por especialistas. Ou, vai ver, era apenas uma conclusão estapafúrdia de um bêbado divagando sobre números. De alguma maneira falávamos sobre o conceito do infinito em matemática e meu amigo não perdoou:
- Os livros estão errados, porque o infinito menos infinito é zero.
Eu tenho estudado um pouco mais de matemática que o Zenildo. Mas, embora me considerasse tão burro nisso quanto ele próprio o era, achei sua conclusão um tanto estranha. Afinal, se algo é infinito não pode ser mensurado. Como pode se afirmar que o resultado de uma operação de dois valores desconhecidos é zero? Seria um infinito maior que o outro infinito? Um de nós dois estava terrivelmente equivocado, mas com toda confiança que o álcool poderia me dar, retruquei-lhe:
- Porra nenhuma, Zenildo! Vc ta é bêbado, porra...
- Eu sei, mas isso faz sentido. Não, isso é lógico, caralho – ele respondeu, continuando em seguida – se 1 menos 1 é zero, infinito menos infinito é zero!
O debate prosseguiu dessa maneira.
Após uma hora de conversa, e, já visivelmente cansado de tentar dissuadir um ébrio em sua convicção, apelei para os únicos meios de que dispunha. Convocar J-Zenildo e Th-Zenildo, ambos estudantes de alguma ciência exata que me ajudariam na minha cruzada pela conversão desse ébrio blásfemo. Eles que se virassem para provar o quão errada era essa idéia.
Expliquei-lhes a conclusão de nosso amigo, um olhou para o outro e segurando o riso, falaram quase em uníssono:
- Zenildo, você ta bêbado, porra!
E todos gargalhamos.
O paradigma matemático de Zenildo havia sido derrubado, mas nossa segunda-feira já estava valendo a pena.

Ricardo Rosa Santos

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dois anos

Mãos, beijos, mordidas, sussurros, suor, êxtase, clímax, cansaço, adormecer.

Ela veste sua camisola e levanta-se. Dá alguns passos até a janela e olha para o céu. A noite está clara e, as poucas nuvens encontram-se longe no horizonte.

Um barulho faz com que olhe para a cama.

Ele ainda dorme.

Há dois anos vivem esse relacionamento: fins-de-semana de intenso êxtase e prazer, escondendo de seu filho, o melhor amigo dele, os motivos de suas escapadas;
Dois anos de frustração ante às inegáveis marcas do tempo em seu rosto;
Dois anos de culpa por impedí-lo de seguir com sua vida, embora ele diga não se preocupar com a diferença entre suas idades;
Dois anos de medo que ele mude de idéia...

Dois anos tentando se convencer a acabar com isso antes que se machuque.

Mergulhada em seus pensamentos, Ela não o vê se levantar e caminhar em sua direção. Ela o sente afagar seus cabelos, beijá-la no rosto, puxá-la gentilmente para próximo de si, e o ouve dizer gosta dela.

Ela quer odiá-lo por não ser um insensível, por não simplesmente usá-la e ir embora, por ser tão presente.
Ela quer odiá-lo pelo maldito carinho que joga por terra sua determinação em deixá-lo; Por tornar tudo tão mais difícil.

Vencida, ela o pega pela a mão, o beija e o leva de volta à cama.

Novamente mãos, beijos, mordidas, sussurros, gemidos. E então ela pede que ele a tenha com força, que a machuque.

E assim, como tem feito há dois anos, ela possa batê-lo e arranhá-lo. Para que possa gritar, sofrer, chorar e, em gozo, esquecer seus medos e angústias.

Para que ela possa sentir ódio dele e de si por saber que o ama.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fones pra que te quero!

Quando a Sony lançou comercialmente o walkman na década de 1970, teve início a era dos players de música portáteis e “discretos”. Já era possível ter suas músicas favoritas disponíveis a qualquer hora e lugar. Fones de ouvido (conhecidos desde os anos 1940) foram escolhidos em vez de alto-falantes resultando em aparelhos mais baratos, com uma maior autonomia das pilhas e pouco ou nenhum incômodo para as pessoas ao redor. Porém, a maior vantagem dos fones é que eles isolam o ouvinte do ambiente, e lhe propiciam uma melhor experiência auditiva.

Logo, todos concordamos que alguém que usa seus fones de ouvido em um ônibus, por exemplo, deseja um pouco de privacidade. Correto?

Errado.

Há quem simplesmente não consiga ver alguém sossegado em seu canto com seus fones de ouvido. A cena é comum e você com certeza já a presenciou ou era a pessoa com os fones.

O bom senso ensina que, se uma pessoa não o retribuir suas tentativas de diálogo, é porque não quer conversar. Some-se a isso o fato de a pessoa estar com fones de ouvido e bingo! Caberia ao interlocutor entender que esse não é o melhor momento para uma prosa. Mas é claro que isso não ocorre. Ao invés de deixar a pessoa (que pode ser eu, você ou o Zé dos Santos) em paz, os fulaninhos ficam buscando assunto para chamar a atenção do pobre coitado. Parecem incapazes de perceber que não há diversão em repetidamente pausar a música, e nem que o fone na outra orelha é uma mensagem clara de que o que-quer-que-seja-que-se-tenta-ouvir possui uma certa prioridade naquele momento.

Isso não deve ser carência. É maldade mesmo. Ninguém vai aporrinhar o filho-de-uma-jumenta que usa seu celular em volume máximo no ônibus. Não há um filho-de-uma-égua para puxar um papo com esse cara.

Mas eu tenho a solução para o problema: se você é um dos fulaninhos que citei anteriormente, aproveita essa sua vocação para encher o saco e vai aporrinhar o pagodeiro que usa o celular como carro-de-som dentro do ônibus. Você vai conseguir sua conversa, dará a atenção que o escroto procura e vai me livrar da tentação de te mandar tomar no olho do teu cu.

Grato.