quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dois anos

Mãos, beijos, mordidas, sussurros, suor, êxtase, clímax, cansaço, adormecer.

Ela veste sua camisola e levanta-se. Dá alguns passos até a janela e olha para o céu. A noite está clara e, as poucas nuvens encontram-se longe no horizonte.

Um barulho faz com que olhe para a cama.

Ele ainda dorme.

Há dois anos vivem esse relacionamento: fins-de-semana de intenso êxtase e prazer, escondendo de seu filho, o melhor amigo dele, os motivos de suas escapadas;
Dois anos de frustração ante às inegáveis marcas do tempo em seu rosto;
Dois anos de culpa por impedí-lo de seguir com sua vida, embora ele diga não se preocupar com a diferença entre suas idades;
Dois anos de medo que ele mude de idéia...

Dois anos tentando se convencer a acabar com isso antes que se machuque.

Mergulhada em seus pensamentos, Ela não o vê se levantar e caminhar em sua direção. Ela o sente afagar seus cabelos, beijá-la no rosto, puxá-la gentilmente para próximo de si, e o ouve dizer gosta dela.

Ela quer odiá-lo por não ser um insensível, por não simplesmente usá-la e ir embora, por ser tão presente.
Ela quer odiá-lo pelo maldito carinho que joga por terra sua determinação em deixá-lo; Por tornar tudo tão mais difícil.

Vencida, ela o pega pela a mão, o beija e o leva de volta à cama.

Novamente mãos, beijos, mordidas, sussurros, gemidos. E então ela pede que ele a tenha com força, que a machuque.

E assim, como tem feito há dois anos, ela possa batê-lo e arranhá-lo. Para que possa gritar, sofrer, chorar e, em gozo, esquecer seus medos e angústias.

Para que ela possa sentir ódio dele e de si por saber que o ama.

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